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Estará Israel por detrás dos erros «inexplicáveis» que causaram acidentes ferroviários em Espanha?
As pessoas estão a associar a falha generalizada nas comunicações informáticas que antecedeu o acidente ao aviso feito anteriormente por Netanyahu, segundo o qual Espanha pagaria um «preço imediato» pela sua posição diplomática.
Estará Israel por detrás dos erros «inexplicáveis» que causaram acidentes ferroviários em Espanha?
Equipas de emergência atuam no local de um acidente ferroviário na província de Toledo, em Espanha, a 28 de outubro. / AFP

Espanha foi palco de três acidentes ferroviários mortais este ano, que colocaram sob intenso escrutínio a deterioração dos padrões de segurança e proteção no segundo maior país da União Europeia.

No entanto, o que trouxe uma nova dimensão ao caso, na sequência do acidente mais recente, ocorrido no início desta semana, foi a crescente onda de especulação nas redes sociais sobre um possível envolvimento de Israel nos acidentes mortais, que provocaram pelo menos 115 vítimas mortais desde janeiro.

Uma vaga de comentários nas redes sociais aponta o dedo a Israel, acusando-o de ter levado a cabo repetidos atos de sabotagem em Espanha.

Os dois países entraram recentemente em confronto devido ao reconhecimento, por parte de Madrid, do Estado da Palestina e às duras críticas dirigidas ao genocídio israelita em Gaza.

Este conflito surge na sequência de uma ameaça do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, segundo a qual o país europeu pagaria um «preço imediato» pela sua posição diplomática favorável à Palestina.

A posterior contratação do antigo responsável espanhol pela segurança ferroviária e do antigo secretário de Estado dos Transportes por uma empresa israelita de cibersegurança ferroviária também suscitou suspeitas sobre o alegado papel de Telavive nos acidentes ferroviários mortais.

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Uma sucessão de erros humanos e falhas nos sistemas

Um comboio de alta velocidade embateu na traseira de outro comboio que se encontrava imobilizado perto da localidade de Urda, na província espanhola de Toledo, a 28 de outubro, provocando pelo menos 68 mortos e mais de 100 feridos.

As investigações preliminares apontam para uma combinação de falha num sistema informático e de um erro humano «inexplicável» como causa do acidente mortal.

Segundo as notícias, uma anomalia técnica fez cair o sistema automatizado de segurança da sinalização ao longo de um troço ferroviário de 65 quilómetros, obrigando todos os comboios naquela zona a parar. Esta situação levou os controladores de tráfego ferroviário a assumir manualmente o controlo dos comboios.

Um controlador em Madrid deu então uma ordem «inexplicável», permitindo que o comboio que seguia atrás retomasse a circulação normal, sem quaisquer limites de velocidade.

A consequente colisão traseira a alta velocidade levantou suspeitas de que se poderia ter tratado de um ato de sabotagem planeado, em vez de um acidente.

Anteriormente, outro comboio de alta velocidade descarrilou a 18 de janeiro e invadiu a via contrária na mesma linha ferroviária Madrid-Sevilha, perto de Adamuz, na província de Córdova.

Um comboio que circulava em sentido contrário embateu então no comboio descarrilado, provocando 46 mortos e mais de 150 feridos.

As investigações responsabilizaram um troço danificado da via-férrea pelo acidente mortal. Segundo as notícias, o sindicato dos maquinistas espanhóis já tinha alertado para problemas de segurança antes do acidente.

Dois dias depois, a 20 de janeiro, outro comboio suburbano descarrilou perto de Barcelona, provocando a morte do maquinista e ferimentos em dezenas de passageiros.

As investigações atribuíram o acidente a um colapso estrutural: um muro de suporte desmoronou-se junto à linha ferroviária e os destroços provocaram o descarrilamento fatal.

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Porque está Israel a ser responsabilizado?

Existem duas razões principais pelas quais um número crescente de comentadores nas redes sociais está a apontar o dedo a Israel, alegando que o país terá orquestrado os acidentes ferroviários mortais.

Em primeiro lugar, Netanyahu ameaçou, numa declaração oficial divulgada no início deste ano, que Espanha pagaria um «preço imediato», na sequência de uma longa série de confrontos diplomáticos.

Espanha assumiu uma posição firme contra Israel ao reconhecer o Estado da Palestina, criticar os bombardeamentos genocidas israelitas em Gaza, impor um embargo de armas a Telavive e encerrar o seu espaço aéreo aos voos militares norte-americanos destinados a realizar ataques contra o Irão.

Netanyahu afirmou que não toleraria a «hipocrisia e hostilidade» de Espanha, nem permitiria que o país conduzisse uma guerra diplomática.

Em segundo lugar, outra razão pela qual muitas pessoas acusam Israel de ter tido um alegado papel nos acidentes ferroviários mortais é a contratação do antigo secretário de Estado espanhol dos Transportes e antigo responsável pelos caminhos de ferro por uma empresa israelita de cibersegurança ferroviária.

Em fevereiro de 2024, a Cylus, uma empresa de cibersegurança ferroviária sediada em Telavive, nomeou Isabel Pardo de Vera para integrar o seu conselho consultivo.

Anteriormente, Pardo de Vera tinha sido presidente da empresa pública espanhola responsável pelas infraestruturas ferroviárias e, mais tarde, exerceu funções como secretária de Estado dos Transportes entre julho de 2021 e o início de 2023.

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Sempre sob escrutínio

Historicamente, Israel tem sido frequentemente acusado de realizar operações clandestinas de sabotagem, ciberataques e operações seletivas em países que considera hostis.

O seu serviço de informações externo, o Mossad, juntamente com unidades militares de cibersegurança, como a Unidade 8200, tem um historial amplamente documentado de alegadas interferências em países estrangeiros.

Na década de 2000, Telavive utilizou contra o Irão aquilo que é amplamente considerado a primeira arma cibernética de origem estatal conhecida publicamente em todo o mundo. Recorreu ao vírus informático Stuxnet para atacar especificamente e destruir fisicamente cerca de 1000 centrifugadoras na instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, no Irão.

Em 2020, Israel foi apontado como responsável por um ciberataque de grandes dimensões que paralisou os sistemas informáticos responsáveis pela gestão do tráfego, da navegação e dos rebocadores no estratégico terminal portuário de Shahid Rajaee, em Bandar Abbas, no Irão, provocando filas de trânsito com quilómetros de extensão, tanto em terra como no mar.

Numa outra operação altamente sofisticada contra a cadeia de abastecimento, os serviços de informações israelitas fizeram detonar simultaneamente, em 2024, milhares de pagers e rádios portáteis modificados utilizados por membros do Hezbollah em todo o Líbano, provocando dezenas de mortos e muitos mais feridos.

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Israel e a especulação nas redes sociais

Israel está a ser amplamente acusado de ter desempenhado um papel secreto na colisão entre comboios de alta velocidade ocorrida em Espanha a 28 de outubro.

Os utilizadores das redes sociais estão a associar a falha generalizada nas comunicações informáticas que antecedeu o acidente ao aviso feito anteriormente por Netanyahu, segundo o qual Espanha pagaria um «preço imediato» pela sua posição diplomática.

Estão também a chamar a atenção para a integração de empresas israelitas de cibersegurança nos sistemas ferroviários espanhóis.

«Israel está a fazer descarrilar os comboios espanhóis», publicou Joe Black, um utilizador das redes sociais, na plataforma X.

Outro utilizador das redes sociais destacou que o acidente foi provocado por uma falha técnica.

«As empresas israelitas estão integradas no sistema ferroviário espanhol e os comboios espanhóis continuam a sofrer acidentes depois de Israel os ter ameaçado», dizia a publicação.

«É uma coincidência realmente lamentável que estes acidentes continuem a acontecer quando os países desagradam a Israel e os seus contratos informáticos e de segurança são com Israel. É inexplicável», afirmou outro utilizador das redes sociais.