MÉDIO ORIENTE
2 min de leitura
Teerão quer uma paz sustentável, mas exige garantias contra futuros ataques, diz negociador
O principal negociador do Irão, Mohammad Bagher Qalibaf, relatou progresso nas negociações com os EUA, mas salienta que se mantêm diferenças significativas.
Teerão quer uma paz sustentável, mas exige garantias contra futuros ataques, diz negociador
Qalibaf diz que ambos os lados agora têm uma compreensão mais realista. (Foto: ARQUIVO) / Reuters
há 15 horas

O principal negociador do Irão, Mohammad Bagher Qalibaf, informou avanços nas negociações com os EUA, embora tenha alertado que ainda existe uma "grande distância" entre as duas partes.

Num discurso à televisão estatal, o Presidente do Parlamento iraniano disse que, embora Teerão tenha a "boa vontade para alcançar uma paz sustentável", persistem divergências importantes em relação ao tema nuclear e ao Estreito de Ormuz.

"As equipas de negociação americanas e iranianas têm agora uma compreensão mais realista uma da outra", disse Qalibaf.

No entanto, sublinhou que o Irão tem que obter garantias de que "a América ou a entidade sionista" não irão lançar novamente uma guerra contra o país.

Defendeu uma abordagem "passo a passo" em que ambas as partes implementem os seus compromissos de forma recíproca.

"Se os americanos são honestos e têm boa vontade, devem abandonar a sua abordagem unilateral de impor ditames", acrescentou.

Alegações de cessar-fogo

Abordando o conflito recente, Qalibaf afirmou que o Presidente dos EUA, Donald Trump, pediu um cessar-fogo porque o Irão estava numa posição "vitoriosa no campo de batalha".

Observou que, entre a guerra de 12 dias e os confrontos mais recentes, o Irão alcançou desenvolvimentos significativos na defesa aérea.

"Trump não alcançou seu o objetivo de mudança de regime nem de destruir as nossas capacidades ofensivas e de mísseis; o Irão não é a Venezuela", disse ele.

Qalibaf afirmou ainda que os inimigos falharam nas tentativas de introduzir "elementos separatistas" ao longo das fronteiras iranianas.

Esclareceu que a aceitação, por parte de Teerão, de um cessar-fogo temporário tinha como objetivo garantir que o inimigo cumpria as exigências iranianas.

"Não confiamos no inimigo e, se eles cometerem qualquer erro, as nossas forças armadas responderão, pois estão em plena prontidão", advertiu, acrescentando que o "inimigo" começou a enviar mensagens por meio de mediadores depois de não conseguir atingir os seus objetivos por meio de ameaças.

RelacionadoTRT Português - Irão: Estreito de Ormuz aberto a todos os navios comerciais durante o tempo restante do cessar-fogo