MÉDIO ORIENTE
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Irão concorda em restaurar o acesso do organismo de vigilância nuclear da ONU, diz Vance
Os negociadores procuram abordar algumas das questões mais difíceis que têm marcado as relações entre os Estados Unidos e o Irão durante décadas, incluindo o programa nuclear de Teerão.
Irão concorda em restaurar o acesso do organismo de vigilância nuclear da ONU, diz Vance
As autoridades norte-americanas dizem que o Irão vai diluir os seus stocks de urânio enriquecido. / Foto: arquivo da AP.

Teerão concordou em convidar novamente inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) a regressarem ao país, afirmou o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, após a primeira ronda de conversações entre os EUA e o Irão no sentido de pôr fim à guerra no Médio Oriente.

“Os iranianos concordaram em convidar inspetores da AIEA de volta ao seu país”, disse Vance aos jornalistas no resort de Burgenstock, na Suíça, na segunda-feira, onde as suas conversações com o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, tinham começado no domingo.

“Isto é um marco importante para o povo norte-americano e o primeiro passo para a desnuclearização permanente ou para o fim permanente de um programa de armas nucleares no Irão”, acrescentou.

As conversações na Suíça foram a primeira fase de um período de negociação de dois meses previsto ao abrigo de um acordo preliminar alcançado na semana anterior.

Os mediadores, Paquistão e Catar, afirmaram que os negociadores concordaram num “roteiro para alcançar um acordo final no prazo de 60 dias”, com negociações técnicas a prosseguirem durante o resto da semana em Burgenstock, um complexo hoteleiro isolado no centro da Suíça.

O acordo final procurará encerrar a guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel a 28 de fevereiro, que levou o Irão a responder com ataques de mísseis e drones em toda a região e acabou por praticamente encerrar o Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para a economia mundial.

Os negociadores procuram abordar algumas das questões mais difíceis que têm marcado as relações entre os Estados Unidos e o Irão durante décadas, incluindo o programa nuclear de Teerão e o urânio enriquecido.

Ao abrigo dos termos do acordo preliminar da semana passada, divulgado por responsáveis norte-americanos, o Irão irá diluir as suas reservas de urânio enriquecido, possivelmente através de “redução da concentração no próprio local sob supervisão da AIEA”, o organismo nuclear da ONU.

A AIEA estima que o Irão tinha 440 quilogramas de urânio enriquecido a 60%, próximo do nível necessário para uma bomba.

O Irão suspendeu a cooperação com a AIEA após os ataques lançados por Israel e pelos Estados Unidos em junho de 2025, e os inspetores não voltaram a ter acesso ao material desde então.

Vance afirmou esperar que as conversações com os inspetores sobre o regresso ao Irão comecem em breve.

“Espero que isso aconteça no mínimo esta semana, mas pensamos que algumas dessas conversações com os inspetores e com a AIEA podem acontecer já hoje”, disse.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, publicou no X no domingo que estava em Burgenstock e que se reuniu com o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Suíça, Ignazio Cassis.