MÉDIO ORIENTE
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EUA e Israel elaboram planos para atacar o Irão após as eleições
O New York Times noticia que as forças norte-americanas e israelitas estão a preparar ataques militares intensivos contra o Irão, visando as instalações nucleares, o arsenal de armas e, potencialmente, as infraestruturas energéticas do país.
EUA e Israel elaboram planos para atacar o Irão após as eleições
EUA e Israel elaboram planos para novos ataques pós-eleições contra o Irão. (Foto: ARQUIVO) / Reuters Archive

As forças armadas dos Estados Unidos e de Israel elaboraram planos específicos para retomar os ataques contra o Irão após as eleições intercalares norte-americanas, estando os preparativos a avançar para uma possível ofensiva curta, mas intensa, noticiou o New York Times.

Citando responsáveis norte-americanos e pessoas informadas sobre as deliberações de alto nível, o jornal referiu que ambos os exércitos intensificaram os exercícios militares, realizando voos no espaço aéreo iraquiano para treinar manobras de ataque.

Entre os possíveis alvos encontram-se infraestruturas energéticas iranianas, instalações nucleares e arsenais de mísseis e drones.

Alguns responsáveis defendem que uma nova vaga de ataques em larga escala poderá levar a economia iraniana ao limite e obrigar Teerão a fazer concessões diplomáticas, após quase oito meses de conflito.

O Secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, reuniu-se com o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Israel, durante uma visita não anunciada.

Os planos para atacar o programa nuclear iraniano poderão incluir o Monte Pickaxe, uma instalação subterrânea profundamente enterrada, conhecida localmente como Kooh Kolang.

Na semana passada, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou estar a ponderar utilizar contra o local uma bomba GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast (MOAB), com um peso de 9.979 quilogramas.

No entanto, especialistas em armamento alertaram que esta munição detona acima do solo e não conseguiria penetrar as fortificações de granito situadas a grande profundidade. Responsáveis militares advertiram ainda que o avião de transporte MC-130, de voo lento e necessário para lançar a bomba, ficaria altamente vulnerável ao fogo da defesa antiaérea iraniana.

A aposta de novembro

Segundo o jornal, está longe de ser certo que Trump autorize novos ataques, uma vez que, ao longo deste ano, vetou repetidamente propostas para retomar operações militares de grande envergadura.

Ambos os exércitos estavam preparados para atacar no início deste mês, antes de Trump cancelar a operação no último momento, provocando aquilo que um comandante descreveu como uma “instabilidade diária” entre os responsáveis pelo planeamento operacional.

Segundo responsáveis norte-americanos, é pouco provável que qualquer campanha militar comece antes das eleições intercalares de novembro, em consonância com a promessa de Trump de não atacar enquanto as negociações estiverem em curso.

Além disso, o conjunto completo dos meios militares norte-americanos — incluindo três porta-aviões, milhares de fuzileiros navais, esquadrões de caças e forças de operações especiais — só estará totalmente reunido no início de novembro, altura em que o prolongamento das horas de escuridão sobre o Irão proporcionará melhores condições de cobertura tática.

Os esforços diplomáticos continuam em curso, com os negociadores norte-americanos a utilizarem a ameaça de um novo conflito para exigir concessões a Teerão relativamente ao desenvolvimento do seu programa nuclear e à navegação no Estreito de Ormuz.

Por outro lado, alguns responsáveis pelo planeamento militar consideram que uma campanha aérea poderá alterar decisivamente a posição do Irão. Contudo, os bombardeamentos anteriores, realizados entre fevereiro e abril, esgotaram reservas de mísseis intercetores, alimentaram a inflação mundial e não conseguiram forçar concessões por parte de Teerão.

A resposta de Teerão

A dinâmica política em Israel poderá também influenciar as decisões operacionais antes das eleições israelitas de 27 de outubro.

Uma eventual derrota eleitoral deixaria Netanyahu na posição de primeiro-ministro interino, sujeito a fortes limitações. Ainda assim, analistas consideram que poderá utilizar a perspetiva de uma guerra iminente para pressionar os seus adversários políticos a formar um governo de unidade nacional de emergência.

Os riscos regionais agravaram-se ainda mais na quarta-feira, quando o Departamento de Estado norte-americano ordenou a retirada da Arábia Saudita dos funcionários não essenciais e dos familiares dos diplomatas, perante os ataques em curso das forças Houthi, apoiadas pelo Irão.

Um responsável da Casa Branca recusou comentar planos militares “que podem ou não existir”, reiterando que Trump mantém todas as opções em aberto para impedir que Teerão adquira armas nucleares.

Os responsáveis iranianos, sob a liderança do líder supremo Mojtaba Khamenei, alertaram que os combates não seriam rápidos nem ficariam circunscritos a uma determinada área.

Teerão prometeu retaliar, visando centros de dados regionais, cabos submarinos de Internet e refinarias de petróleo sauditas, incluindo instalações da Aramco, com o objectivo de fazer disparar os preços mundiais da energia.

Mahdi Mohammadi, conselheiro sénior do negociador iraniano, o general Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os contra-ataques iranianos serão “mais ferozes, criativos e diferentes”.