Embora a Agência Federal Russa para a Proteção dos Direitos dos Consumidores e do Bem-Estar Humano (Rospotrebnadzor) tenha desvalorizado a possível ligação entre a morte da investigadora e o seu trabalho, o caso levantou questões sobre a peste pneumónica.
O Departamento de Estado dos EUA e os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) afirmaram estar a acompanhar de perto a situação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também informou que está em contacto com as autoridades de saúde russas para confirmar o que aconteceu, que testes foram realizados e quais poderão ser os impactos na saúde pública a nível mundial. Um porta-voz da organização afirmou que, com base nas informações não oficiais disponíveis, o risco para a saúde pública da população em geral parece ser baixo.
O que é a peste pneumónica?
A peste pneumónica é uma infeção pulmonar rara e potencialmente mortal causada pela bactéria Yersinia pestis. Os cientistas consideram a peste pneumónica a forma mais perigosa da doença. Existem também outras formas de peste provocadas pela Yersinia pestis, que podem afetar diferentes partes do organismo.
A forma mais comum, a peste bubónica, surge geralmente após a picada de uma pulga ou quando a bactéria entra através de um corte na pele. A infeção provoca o inchaço e a inflamação dolorosa dos gânglios linfáticos e pode evoluir para peste septicémica. Esta forma, que infeta a corrente sanguínea, pode provocar falência de órgãos e também pode resultar diretamente de uma picada de pulga. A peste faríngea, por sua vez, afeta a garganta após o consumo de carne contaminada.
Como se transmite a peste pneumónica?
A peste pneumónica destaca-se por ser a única forma de peste em que a infeção bacteriana pode ser transmitida diretamente de pessoa para pessoa. As partículas respiratórias podem transportar a bactéria quando uma pessoa tosse ou espirra. Gotículas provenientes de animais infetados também podem transmitir a doença. O último caso documentado de transmissão de peste pneumónica entre pessoas nos Estados Unidos ocorreu durante um surto em Los Angeles, em 1924.
Quais são os sintomas da peste pneumónica?
Na peste pneumónica, as partículas infeciosas chegam aos pulmões, provocando uma pneumonia grave e dificultando a respiração.
Os sintomas podem começar nas 24 horas seguintes à infeção. Entre os outros sintomas estão febre, arrepios, dores de cabeça, dores no corpo, tonturas, fraqueza, cansaço, náuseas, vómitos e diarreia. Se não for tratada, a doença é quase sempre fatal.
Como é tratada a peste pneumónica?
Os médicos podem tratar a peste com antibióticos durante 10 a 14 dias. Entre os mais utilizados estão a ciprofloxacina, a levofloxacina, a moxifloxacina, a gentamicina e a estreptomicina.
Os doentes que recebem antibióticos nas primeiras 24 horas da infeção têm maiores probabilidades de sobreviver. Os médicos podem também prestar cuidados de suporte, incluindo oxigénio, líquidos e repouso.
Existe uma vacina contra a peste?
Embora as vacinas contra a peste sejam utilizadas desde o século XIX, não é claro se oferecem proteção contra a peste pneumónica.
A Organização Mundial da Saúde não recomenda a vacinação, exceto para grupos de elevado risco, como profissionais de laboratório expostos continuamente ao risco de infeção.
Porque é que a peste ainda existe actualmente?
Embora muitas pessoas conheçam a peste através de fontes históricas ou de livros, a doença continua a existir actualmente. O especialista em doenças infeciosas, doutor Tyler Evans, afirma que a peste também é utilizada como metáfora para descrever a pobreza e as epidemias. No século XIV, a infeção conhecida como Peste Negra matou mais de 50 milhões de pessoas na Europa.
Embora os antibióticos tenham tornado a doença mais controlável, a peste continua a existir em todos os continentes, à exceção da Oceânia. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a maioria dos casos humanos registados desde a década de 1990 ocorreu em África. De acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, a última morte causada por peste pneumónica no país ocorreu no Arizona, em julho de 2025.
Acredita-se que um jovem que trabalhava com gatos doentes tenha contraído a infeção através dos animais. Nenhuma outra pessoa exposta aos gatos apresentou sintomas da doença. Evans afirma que o risco de peste está a aumentar devido a alterações ecológicas e a fragilidades nas infraestruturas de saúde pública. O especialista salienta que a doença pode ser diagnosticada rapidamente e que os antibióticos são muito eficazes no seu tratamento.
Qual é o risco da doença a nível mundial?
A Organização Mundial da Saúde afirmou que o risco para a população em geral parece ser baixo. O especialista em doenças infeciosas, doutor Rutul Dalal, afirmou que as pessoas com peste pneumónica adoecem muito rapidamente, o que pode limitar a sua capacidade de transmissão.
Dalal referiu que é muito difícil para os doentes realizar as suas actividades diárias ou viajar. Os sintomas podem surgir apenas 24 horas após a exposição. Como não existem voos diretos entre a Rússia e os Estados Unidos, é provável que uma pessoa infetada apresente sintomas antes de conseguir chegar aos EUA.
Dalal afirmou que, comparativamente ao que aconteceu durante a pandemia de Covid-19, a situação não atingiu, para já, essa dimensão, e manifestou esperança de que continue sob controlo. Para quem esteja próximo de pessoas infetadas com peste, os especialistas recomendam evitar o contacto direto com os doentes e alertam para a necessidade de evitar o contacto com fluidos corporais infetados.
Os profissionais que prestam cuidados a doentes com peste pneumónica devem utilizar equipamento de proteção individual adequado e tomar antibióticos preventivos. Em caso de exposição, as autoridades de saúde acompanham os familiares e outros contactos próximos da pessoa infetada e fornecem-lhes antibióticos antes do aparecimento de sintomas. Recomenda-se também a lavagem regular das mãos com água e sabão.






















