EUROPA
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Mais de 1000 artistas apelam ao boicote à Eurovisão devido à participação de Israel
Músicos criticam a União Europeia de Radiodifusão por 'hipocrisia', permitindo que Israel participe enquanto a Rússia permanece suspensa desde 2022.
Mais de 1000 artistas apelam ao boicote à Eurovisão devido à participação de Israel
"As respostas hipócritas da EBU aos crimes da Rússia e de Israel removeram qualquer ilusão da alegada 'neutralidade' da Eurovisão", afirmou a carta. / Reuters

Mais de 1000 músicos e agentes culturais assinaram na terça-feira uma carta aberta pedindo um boicote ao Festival Eurovisão da Canção devido à participação de Israel, segundo a iniciativa por trás do apelo.

A carta, elaborada pelo grupo "No Music for Genocide", instou artistas, emissoras, membros da equipa e fãs a retirarem o apoio ao concurso até que a União Europeia de Radiodifusão (EBU) exclua a emissora pública israelita KAN.

A iniciativa já tinha conseguido convencer artistas a bloquear a sua música em serviços de streaming em Israel.

Entre os signatários estão artistas internacionais de destaque, incluindo Brian Eno, Massive Attack, Kneecap e Roger Waters, juntamente com vencedores anteriores do Eurovisão como Emmelie de Forest e Charlie McGettigan.

A carta afirmou que permitir a participação de Israel enquanto a Rússia permanece suspensa do concurso devido à sua guerra de 2022 na Ucrânia expõe aquilo que os signatários descrevem como hipocrisia nas políticas da EBU.

"As respostas hipócritas da EBU aos crimes da Rússia e de Israel removeram qualquer ilusão sobre a alegada 'neutralidade' da Eurovisão. Em 2022, a EBU disse que a presença da Rússia 'traria o concurso para o descrédito'", afirmou a carta.

"Ainda assim, mais de 30 meses de genocídio em Gaza — juntamente com limpeza étnica e roubo de terras na Cisjordânia ocupada — não são considerados suficientes para aplicar a mesma política a Israel", acrescentou.

Os artistas acusaram a EBU de minar a sua alegada neutralidade e apelaram a figuras da indústria para que tomem uma posição, afirmando que "o silêncio passivo não é uma opção".

A declaração também elogiou emissoras e concorrentes que, segundo relatos, se retiraram das seleções nacionais ou recusaram participar em protesto, citando organizações em Espanha, Irlanda, Islândia, Eslovénia e Países Baixos.

O Festival Eurovisão da Canção vai realizar-se na Áustria entre 12 e 16 de maio.

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