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Ataques russos em Kiev fazem pelo menos 10 mortos
O Serviço Estatal de Emergências da Ucrânia afirma que os ataques mataram pelo menos 10 pessoas e feriram 34.
Ataques russos em Kiev fazem pelo menos 10 mortos
Consequências dos ataques russos com mísseis e drones durante a noite em Kiev. / Reuters

Pelo menos 10 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas na sequência de ataques russos com mísseis e drones contra Kiev, na madrugada desta quinta-feira, depois de o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, ter alertado que Moscovo estava a preparar um “ataque em grande escala”.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter lançado um “ataque em grande escala” contra Kiev “em resposta aos ataques terroristas do regime de Kiev contra infraestruturas civis”.

O ataque ocorreu depois de a Força Aérea da Ucrânia ter avisado que mísseis balísticos se dirigiam para a capital e de Zelensky ter interrompido, na quarta-feira, uma visita a Dublin, citando informações dos serviços de inteligência sobre um iminente ataque russo.

Jornalistas da AFP, no centro e leste de Kiev, ouviram mais de uma dezena de explosões e viram residentes, alguns com crianças e animais de estimação, a correr para se abrigarem nas estações de metro.

O Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia informou que os ataques provocaram 10 mortos e 34 feridos.

Tymur Tkachenko, chefe da administração militar de Kiev, acusou a Rússia de visar deliberadamente civis e zonas residenciais.

Casas e uma residência universitária danificadas

Segundo o governador regional, Mykola Kalashnyk, cinco distritos da região alargada de Kiev foram atingidos.

“Durante a noite, o inimigo voltou a lançar um ataque em grande escala contra a região de Kiev com drones de ataque, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro”, escreveu Kalashnyk no Telegram.

O responsável afirmou que as equipas de emergência combatiam incêndios em armazéns e numa habitação no distrito de Bucha, enquanto casas, uma residência universitária e veículos sofreram danos noutras zonas da região.

Horas antes, um jornalista da AFP testemunhou uma explosão no centro de Kiev durante um alerta aéreo, seguida de fumo e chamas. Bombeiros e ambulâncias foram mobilizados para o local.

Cerca de 50 minutos depois, uma segunda explosão ocorreu perto do primeiro ponto de impacto, projetando destroços para o ar.

Imagens divulgadas pelos serviços de emergência ucranianos ao amanhecer mostram danos extensos num edifício residencial, com uma grande secção completamente destruída.

Alguns moradores descreveram as dificuldades de passar a noite nos abrigos.

“É difícil. A minha filha está habituada a dormir em completo silêncio e escuridão”, disse à AFP a médica Kateryna Kucheryava, de 32 anos.

“Peguei nela ao colo e levei-a para baixo. Acordou e agora já não consegue voltar a dormir. Estamos a tentar que adormeça novamente, mas distrai-se constantemente.”

Zelensky alerta para novos ataques

Zelensky afirmou, na quarta-feira, que regressava antecipadamente de Dublin devido a informações dos serviços de inteligência que indicavam que a Rússia preparava um grande ataque.

“Peço à nossa população que tenha especial cuidado, que proteja a si própria, os seus filhos e, naturalmente, as suas famílias; que utilize os abrigos e respeite os alertas de ataque aéreo na Ucrânia”, declarou.

O Presidente ucraniano acrescentou que o Presidente russo, Vladimir Putin, preparava este ataque há algum tempo.

Nas últimas semanas, a Ucrânia também intensificou os ataques de longo alcance com drones em território russo, visando infraestruturas energéticas e instalações militares.

As autoridades russas têm reportado ataques repetidos nas regiões fronteiriças, enquanto Moscovo afirma que as suas defesas antiaéreas intercetaram centenas de drones ucranianos nos últimos dias.

A ofensiva russa na Ucrânia já provocou mais de dois milhões de baixas militares, segundo um estudo publicado na quarta-feira pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede nos Estados Unidos, que concluiu que as forças russas suportaram a maior parte dessas perdas.

Os esforços liderados pelos Estados Unidos para alcançar um acordo que ponha fim ao conflito não produziram resultados até ao momento.

“A liderança da Rússia continua a recusar totalmente pôr fim à guerra”, escreveu Zelensky na rede social X, na quarta-feira.

Acrescentou que, embora a Ucrânia tenha transmitido, por diversos canais oficiais e não oficiais, a sua disponibilidade para negociar, Moscovo continua a optar por prosseguir a agressão.