AMÉRICA LATINA
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Brasil reage à decisão dos EUA sobre tarifas
O governo afirmou que a decisão dos EUA de impor uma tarifa de 25% sobre alguns produtos importados do Brasil é o resultado da recusa de Brasília em aceitar as exigências “irracionais” dos EUA relativas a sectores estratégicos da economia brasileira.
Brasil reage à decisão dos EUA sobre tarifas
O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, Mauro Vieira, reagiu à decisão das tarifas dos EUA contra o seu país.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, Mauro Vieira, criticou os Estados Unidos pela decisão de impor uma tarifa aduaneira de 25% sobre alguns produtos importados do Brasil, numa declaração feita na capital Brasília.

Vieira afirmou que foram realizadas várias reuniões para resolver os problemas com os EUA e declarou: “O que realmente incomoda o Governo dos EUA é o facto de o Brasil não ter cedido às exigências excessivas e às imposições irracionais apresentadas durante as negociações.”

Vieira afirmou que os EUA exigiram a abertura dos sectores estratégicos da economia brasileira ao mercado norte-americano sem oferecer qualquer contrapartida, acrescentando: “Ou seja, estavam a exigir que nos rendêssemos.”

O ministro sublinhou que, desde o início do ano passado, foram realizadas mais de 30 reuniões presenciais, online e por telefone, a todos os níveis, com o objectivo de abordar todos os temas da agenda comercial entre os dois países, defendendo que o seu Governo adotou uma abordagem construtiva.

“Ataca de forma rude e arrogante o chefe de Estado de um país amigo”

Mauro Vieira também reagiu às declarações do Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, dirigidas ao Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando: “(Rubio) ataca de forma rude e arrogante o chefe de Estado de um país amigo.”

Vieira afirmou que os EUA registaram um excedente comercial acumulado de 424,5 mil milhões de dólares nas trocas comerciais com o Brasil nos últimos 15 anos, recordando que, no ano passado, 76% dos produtos de origem norte-americana foram importados pelo Brasil sem pagamento de tarifas alfandegárias.

O ministro recordou a Lei da Reciprocidade do Brasil, que prevê medidas de retaliação como a limitação de importações e a suspensão de privilégios comerciais, afirmando: “Todas as alegações apresentadas pelos EUA para justificar a aplicação de tarifas aduaneiras estão afastadas da realidade e não têm qualquer fundamento.”

Os EUA tinham decidido aplicar uma tarifa aduaneira de 25% sobre alguns produtos brasileiros, alegando “práticas injustas que prejudicam o comércio americano”.