AMÉRICA LATINA
2 min de leitura
Cuba alerta para um “banho de sangue” caso os EUA lancem um ataque militar
Havana tem estado sob crescente pressão desde que os EUA cortaram o seu fornecimento de energia, após a captura do presidente da sua então aliada, a Venezuela, em janeiro.
Cuba alerta para um “banho de sangue” caso os EUA lancem um ataque militar
Aquivo: Díaz-Canel participa num comício em Havana, 03/01/2026, em solidariedade com a Venezuela após o rapto do Presidente Maduro pelos EUA. / AP

O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que qualquer ação militar dos Estados Unidos contra Cuba levaria a um “banho de sangue” com consequências incalculáveis para a paz e a estabilidade regional.

“Cuba não representa uma ameaça”, disse Díaz-Canel numa publicação na rede social X na segunda-feira.

As declarações surgem na sequência de um relatório da Axios, publicado no domingo, que, citando informações de inteligência classificadas, afirmou que Cuba teria adquirido mais de 300 drones militares e discutido planos para os utilizar em ataques contra a base naval dos EUA em Guantánamo, navios militares norte-americanos e Key West, na Florida.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez, afirmou numa publicação separada que Cuba, “como todas as nações do mundo”, tem o direito à legítima defesa contra agressões externas ao abrigo da Carta das Nações Unidas e do direito internacional.

Acrescentou ainda que quem procura atacar Cuba utiliza pretextos falsos para justificar essas ações.

Cuba, inimiga comunista de Washington há gerações, tem vindo a sofrer uma pressão crescente desde que os Estados Unidos cortaram o seu fornecimento de energia após a captura do presidente da sua então aliada, a Venezuela, em janeiro.

Nas últimas semanas, o combustível esgotou-se e a eletricidade tem estado disponível apenas durante uma ou duas horas por dia.

As tensões entre os dois países aumentaram acentuadamente nos últimos dias.

A Reuters noticiou na semana passada, citando fontes do Departamento de Justiça dos EUA, que os procuradores planeavam indiciar o antigo líder cubano Raúl Castro pelo abate, em 1996, de dois aviões operados pelo grupo humanitário Brothers to the Rescue.

Essa eventual acusação contra Castro, de 94 anos, representaria uma grande escalada na pressão dos Estados Unidos sobre Cuba, numa administração Trump que descreve o governo da ilha como corrupto e incompetente, ao mesmo tempo que pressiona por mudanças.