O Senado dos Estados Unidos rejeitou, na quarta-feira, uma resolução que teria obrigado o Presidente Donald Trump a retirar as forças norte-americanas das hostilidades contra o Irão, salvo autorização formal do Congresso para uma ação militar.
A medida foi rejeitada por 50 votos contra, 47 a favor e uma abstenção, depois de os líderes republicanos argumentarem que uma nova reprimenda do Congresso poderia comprometer as negociações em curso para pôr fim à guerra.
A resolução procurava reafirmar a autoridade constitucional do Congresso para declarar guerra e exigiria que a administração Trump suspendesse qualquer envolvimento militar dos Estados Unidos no Irão ou contra o Irão sem uma declaração formal de guerra ou uma autorização específica para o uso da força militar.
O senador republicano Rand Paul, que anteriormente apoiara iniciativas semelhantes em conjunto com os democratas, optou por votar “presente”, afirmando que não queria colocar em risco as negociações de paz.
“Uma vez que as hostilidades parecem ter terminado e o Presidente me pediu que tivesse em consideração a sua posição negocial, assim o farei”, escreveu Paul numa publicação na rede X antes da votação. “O meu voto de presença é uma forma de dar ao Presidente mais margem de manobra e influência para negociar uma paz duradoura.”
Trump celebrou o resultado na sua plataforma Truth Social, afirmando que o Senado tinha “mudado o seu voto sobre o Irão de 50-48 contra para 50-47 a favor”.
“Rand Paul e Bill Cassidy mudaram de posição. Obrigado ao líder John Thune, Lindsey Graham, Bernie Moreno e a todos os outros. Esta votação serve de aviso ao Irão!”, escreveu.
A votação ocorreu depois de os senadores republicanos terem ouvido Trump defender a sua política em relação ao Irão, também na quarta-feira.
Outro republicano, o senador Bill Cassidy, que ajudara a fazer avançar a medida em comissão em maio, acabou por votar contra após receber aquilo que descreveu como uma explicação “exaustiva” do vice-presidente JD Vance e do enviado especial Steve Witkoff sobre o estado do conflito.
A Câmara dos Representantes aprovou no início da semana uma medida semelhante de censura à guerra contra o Irão, que também recebeu aprovação do Senado por uma margem reduzida.
Segunda votação sobre poderes de guerra em dois dias
A votação teve lugar apenas um dia depois de o Senado ter aprovado uma resolução distinta ao abrigo da Lei dos Poderes de Guerra, por 50 votos contra 48, determinando que Trump pusesse termo às hostilidades com o Irão, salvo autorização adicional do Congresso para uma ação militar.
Essa medida não vinculativa, identificada como H.Con.Res. 86, já tinha sido aprovada pela Câmara dos Representantes e representou a mais forte manifestação simbólica de oposição do Capitólio à guerra, depois de nove votações anteriores no Senado não terem conseguido reunir uma maioria simples.
Cassidy e Paul, juntamente com as senadoras republicanas Susan Collins, do Maine, e Lisa Murkowski, do Alasca, tinham-se juntado aos democratas para apoiar a resolução de terça-feira. O senador democrata John Fetterman, da Pensilvânia, votou contra.
As votações ocorrem numa altura em que os Estados Unidos e o Irão prosseguem negociações técnicas ao abrigo de um cessar-fogo de 60 dias, na sequência de um memorando de entendimento assinado a 17 de junho pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e pelo Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.
Os Estados Unidos e Israel lançaram operações militares contra o Irão a 28 de fevereiro, levando Teerão a responder com ataques contra activos norte-americanos em várias zonas do Médio Oriente. Os combates foram interrompidos ao abrigo de um cessar-fogo mediado pelo Paquistão, que entrou em vigor a 8 de abril.















