MÉDIO ORIENTE
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EAU têm estado a conduzir secretamente ataques contra o Irão em meio à guerra entre os EUA e Israel
Os EAU atacaram uma refinaria na ilha iraniana de Lavan no início de abril, segundo fontes anónimas citadas pelo Wall Street Journal, num episódio que terá feito parte de uma série de ataques alegadamente realizados por Abu Dhabi durante a guerra.
EAU têm estado a conduzir secretamente ataques contra o Irão em meio à guerra entre os EUA e Israel
Esta imagem de satélite mostra incêndios em navios após um ataque a um porto em Bandar Abbas, Irão, 2 de março de 2026 (ARQUIVO) / AP

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) têm vindo a realizar secretamente uma série de ataques contra o Irão no contexto da guerra em curso entre os Estados Unidos e Israel, segundo um relatório publicado na segunda-feira.

Um dos alvos foi uma refinaria na ilha iraniana de Lavan, de acordo com fontes anónimas familiarizadas com o assunto citadas pelo Wall Street Journal. A refinaria terá sido atingida no início de abril, por volta da altura em que o Presidente dos EUA, Donald Trump, se preparava para anunciar um cessar-fogo com o Irão, provocando um grande incêndio e deixando a instalação fora de serviço, segundo o jornal.

O Irão terá retaliado com o lançamento de mísseis balísticos e drones contra os EAU e o Kuwait. Uma das fontes indicou que os Estados Unidos terão, de forma discreta, visto com agrado a entrada dos Emirados no conflito.

O Wall Street Journal refere ainda que o Irão terá visado os Emirados Árabes Unidos mais do que qualquer outro país, incluindo Israel, com mais de 2.800 ataques com mísseis e drones contra o país do Golfo.

Estes ataques terão causado danos significativos na economia dos EAU, levando a despedimentos e suspensões temporárias de trabalho, e terão “provocado uma mudança fundamental na visão estratégica do país, que agora vê o Irão como um ator fora da lei determinado a minar o seu modelo económico e social baseado no talento expatriado e numa reputação de segurança e estabilidade”, segundo responsáveis do Golfo citados de forma anónima pelo jornal.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros dos EAU não comentou os ataques quando questionado pelo jornal, mas remeteu para uma declaração anterior que sublinhava o direito de Abu Dhabi a responder a atos hostis.

“É significativo ter um país árabe do Golfo como parte beligerante que atacou diretamente o Irão”, afirmou Dina Esfandiary, analista do Médio Oriente, ao Wall Street Journal. “Teerão irá agora tentar aprofundar a divisão entre os EAU e outros países árabes do Golfo que procuram mediar o fim da guerra.”