MÉDIO ORIENTE
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EUA planeiam vender 40 000 bombas MK-84 e BLU-117 a Israel após o seu uso no genocídio de Gaza
Segundo as notícias, o negócio no valor de 2,8 mil milhões de dólares prevê o envio de 20 000 MK-84 e 20 000 BLU-117, juntamente com 20 000 ogivas penetrantes I-2000, para Israel — armas frequentemente utilizadas para arrasar casas e perfurar betão.
EUA planeiam vender 40 000 bombas MK-84 e BLU-117 a Israel após o seu uso no genocídio de Gaza
Vista de edifícios destruídos na Faixa de Gaza, a 25 de agosto de 2026 (ARQUIVO). / Reuters Archive

A administração do presidente dos EUA, Donald Trump, está a planear vender a Israel um pacote de munições no valor de 2,8 mil milhões de dólares, que incluirá dezenas de milhares de bombas de 900 quilos altamente destrutivas, utilizadas no genocídio de Gaza, segundo noticiaram vários meios de comunicação social norte-americanos.

O pacote proposto inclui 20 000 bombas MK-84, 20 000 bombas BLU-117 e 20 000 ogivas I-2000 Penetrator, noticiou o «Washington Post» na terça-feira.

As armas seriam adquiridas com fundos dos contribuintes norte-americanos.

A agência de notícias Reuters também informou que a venda planeada, que foi comunicada informalmente às comissões parlamentares competentes que se pronunciam sobre grandes vendas de armas, inclui 20 000 MK-84 e 20 000 BLU-117.

O Departamento de Estado não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

O apoio público dos EUA a Israel tem vindo a diminuir desde o início do genocídio em Gaza, em 2023, particularmente entre os democratas.

Uma sondagem realizada em junho pela Universidade de Quinnipiac revelou que 48% dos eleitores e 66% dos democratas consideram que os Estados Unidos apoiam demasiado Israel, um aumento em relação aos 16% e 20% registados quando a pergunta foi feita pela primeira vez em 2017.

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A MK-84 está entre as munições convencionais mais destrutivas dos arsenais militares ocidentais. A sua explosão pode projetar fragmentos de metal a milhares de pés de distância, penetrar em betão espesso e metal e criar grandes crateras.

O pacote proposto excederia as transferências anteriores de bombas de 900 quilos dos EUA para Israel, tanto durante a administração Biden como durante a administração Trump.

Seria também superior a uma controversa venda de armas no valor de 2,04 mil milhões de dólares, aprovada em 2025, que contornou o processo normal de revisão pelo Congresso.

Trevor Ball, um antigo técnico de eliminação de engenhos explosivos do Exército dos EUA, descreveu a utilização destas armas por parte de Israel, afirmando que são frequentemente empregues para atacar edifícios.

«Se o Hezbollah ou quem quer que seja estiver num edifício, uma MK-84 derrubará o edifício inteiro», afirmou Ball.

A MK-84 foi apelidada de «martelo» pelos pilotos norte-americanos durante a Guerra do Golfo de 1991. Foi a única munição cujo envio para Israel foi temporariamente suspenso pelo ex-presidente Joe Biden em 2024, após o aumento do número de vítimas civis.

Trump reverteu essa política em janeiro de 2025.

Brian Finucane, conselheiro sénior do International Crisis Group, afirmou que existem «preocupações reais» sobre a forma como tais armas poderiam ser utilizadas em áreas densamente povoadas, tendo em conta a forma como Israel conduziu a sua campanha aérea em Gaza e, em certa medida, no sul do Líbano.

A notícia da venda planeada provocou indignação entre os críticos da administração Trump e do genocídio perpetrado por Israel em Gaza.

Fúria nas redes sociais

O comentador conservador norte-americano Tucker Carlson compara o poder destrutivo do carregamento previsto às principais operações de bombardeamento da Segunda Guerra Mundial, salientando que excede em mais de 13 vezes o bombardeamento de Berlim, em 25 vezes o bombardeamento incendiário de Tóquio e equivale a mais de três vezes o poder destrutivo da bomba atómica de Hiroshima em tonelagem explosiva.

Carlson alegou que a cadeia de aprovação envolve o embaixador dos EUA, Mike Huckabee, o secretário de Estado, Marco Rubio, e figuras-chave do Congresso, apresentando as transferências como ajuda financiada pelos contribuintes que continua a ser utilizada em Gaza e no Líbano, ao mesmo tempo que apela à atenção do público para impedir uma escalada.

«Não há precedentes para o que a administração Trump está a fazer. Nem há justificação», afirmou.

«O governo de Israel não está a travar a Segunda Guerra Mundial, nem sequer uma guerra. Está envolvido em escaramuças periódicas com uma força de guerrilha no Líbano e está a trabalhar para exterminar uma população civil desarmada em Gaza. Nenhuma destas frentes requer bombas modernas de 900 quilos», acrescentou.

Num texto publicado no X, a ex-deputada Marjorie Taylor Greene afirmou que os americanos não votaram a favor desta política.

«A América não apoia isto. O dinheiro dos nossos impostos e as nossas armas têm sido usados para matar dezenas de milhares de pessoas inocentes. Meu Deus, o que se seguirá?», disse Greene, que já foi uma das defensoras mais veementes do presidente dos EUA, Donald Trump.

As bombas de 900 quilos têm sido utilizadas regularmente por Israel no genocídio em Gaza, bem como no Líbano, o que tem suscitado o escrutínio de especialistas em direitos humanos.

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