Um jato privado que transportava Flávio Bolsonaro, o candidato presidencial de direita derrotado no Brasil, aterrou na região de Miami, noticiou a agência de notícias AFP.
O avião, avistado por jornalistas da AFP durante uma escala noturna em Guayaquil, no Equador, corresponde à descrição da aeronave identificada pelas autoridades argentinas como sendo aquela que transportava Bolsonaro.
Washington anunciou que lhe concederia um visto.
Enquanto o mundo inteiro tentava perceber onde se encontrava, Bolsonaro entrou na Argentina com a mulher e as duas filhas ao final da noite de terça-feira, segundo a Direção Nacional de Migrações daquele país.
Bolsonaro, que perdeu as eleições presidenciais de domingo para o presidente cessante, de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, e se tinha recusado a cumprir uma ordem do Supremo Tribunal para entregar os passaportes, entrou na Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, situada a cerca de 19 horas de viagem por estrada da sua residência em Brasília.
A família embarcou depois num avião privado operado pela Baires Fly S.A., com destino à cidade equatoriana de Guayaquil, informou a Direção Nacional de Migrações.
A Presidência argentina não respondeu de imediato a um pedido de comentário. A Baires Fly também não.
Segundo dados da FlightAware, um Gulfstream G400 operado pela Baires Fly, com a matrícula LV-JQW, descolou de Puerto Iguazú às 00h22 (03h22 GMT) e aterrou em Guayaquil às 03h46 (08h46 GMT).
O avião partiu depois em direção ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, em Miami, onde aterrou às 09h18, hora local (13h18 GMT).
Não está claro como é que Bolsonaro entrou no Equador. As autoridades equatorianas não responderam de imediato a um pedido de comentários.

Rutura entre os EUA e o Brasil
A saída de Bolsonaro ameaça aprofundar a rutura entre os dois países mais populosos das Américas.
Lula acusou Washington de conspirar com a família Bolsonaro para os ajudar a regressar ao poder. Antes das eleições de domingo, a agência de notícias Reuters noticiou uma campanha do Departamento de Estado dos EUA destinada a devolver os Bolsonaro ao poder.
Na quarta-feira, Trump disse aos jornalistas que aprovaria a vinda de Bolsonaro para os Estados Unidos, depois de o seu Departamento de Estado ter anunciado que concederia vistos de entrada à família.
Trump já tinha alegado anteriormente que o pai de Flávio, o antigo presidente Jair Bolsonaro, era vítima de perseguição judicial no Brasil.
Jair Bolsonaro também viajou para os Estados Unidos depois de se ter recusado a reconhecer a derrota perante Lula em 2022, durante a presidência de Joe Biden. Acabou por regressar ao Brasil, mas foi posteriormente condenado a 27 anos de prisão por conspirar para levar a cabo um golpe de Estado, depois de os seus apoiantes terem invadido edifícios governamentais em Brasília.
Bolsonaro era apontado como favorito à vitória nas eleições presidenciais de domingo, mas acabou por perder, num resultado surpreendente.
Flávio Bolsonaro, que perderá a imunidade parlamentar quando terminar o seu mandato no Senado, em fevereiro, tinha afirmado na segunda-feira, depois de receber a ordem para entregar os passaportes, que não tencionava fugir.
«Nunca pensei em sair do país», afirmou. «Vou entregar os meus passaportes e defender-me contra esta farsa, que é uma clara tentativa de me intimidar.»
























